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O futuro do Santos – e uma ‘teoria revolucionária’

Este é um post sério. Talvez o mais sério e de maior profundidade do ano. É um post que chama a todos, especialmente a torcida santista, à análise e à razão.

Em primeiro lugar, o que me fez pensar sobre o que escrevo abaixo foi uma frase, quase ignorada pela imprensa, dita pelo treinador Émerson Leão depois da derrota de ontem, diante do bravo esquadrão do Barueri: “Custe o que custar.”

Dispamo-nos de ideologias partidárias para colocarmos em discussão o assunto mais sério dos últimos anos. O que está em jogo neste começo de 2008 é algo muito maior do que simplesmente o Campeonato Paulista. Maior que a Taça Libertadores. Maior que qualquer campeonato.

O que está em jogo neste começo de 2008, para o Santos FC, é o seu futuro e a determinação da manutenção de seu lugar no rol dos grandes times – ou não.

Da boca do presidente Marcelo Teixeira dificilmente ouvimos algo que gere algum debate ou que nos proponha algum conteúdo. Entretanto, desde a contratação de Émerson Leão, a torcida, gostando ou não dele, deve admitir que ganhou um porta-voz sobre os assuntos internos do clube.

Eis que durante entrevista coletiva, em que todos parecem mais ter se apegado às declarações sobre contratações e sobre o suposto doping do árbitro, o treinador deixou muito claro o que está acontecendo na rotina do clube. Uma revolução. Uma completa e total reformulação. E, o mais assustador, o treinador frisou, enfaticamente, que essa revolução será feita ‘a qualquer preço’. “Custa o que custar” foi a expressão exata.

O que exponho abaixo não é fruto de nenhuma conversa com dirigente. Não é fruto de entrevista. É fruto, única e exclusivamente, de análise dos fatos. É a minha impressão, com a qual vocês concordem ou não.

Bom, mas vamos aos fatos antes de analisá-los.

Dadas as últimas informações vindas da Vila, Émerson Leão, quando refere-se a uma “revolução” o faz, claramente, pensando no trabalho desenvolvido junto aos juniores e ao tratamento destinado pelo clube aos atletas e seus empresários

Pois bem. A história começa na dispensa do técnico Vanderlei Luxemburgo. Me parece bastante óbvio que a dispensa do treinador já estava certa desde antes das eleições no Santos. Óbvio, também, que Marcelo Teixeira sequer cogitou ‘abrir o jogo’ e expor à opinião pública os fatos reais, escancarar suas idéias às vésperas do pleito. Mesmo porque sabe-se que as pessoas tendem a desconfiar de teses revolucionárias assim que são colocadas à sua frente. Isso podia lhe valer a re-re-re-reeleição.

Voltando a Vanderlei Luxemburgo. Não afeito a trabalhar com orçamentos apertados nem disposto a lançar um time de garotos que, aposta das apostas, pode levar um clube tanto à glória quanto à ruína, o treinador-estrela não se dispôs a ‘pagar pra ver’ nem a colocar o nome dele em jogo em um projeto ousado, o qual é tema dessa coluna e no qual chegarei em breve.

Com a recusa de Vanderlei, Teixeira combina com o treinador que esse, que sai do Santos ainda como amigo do mandatário, será seu principal cabo eleitoral. Dirá em entrevistas, e a todos, que só negocia com o Santos caso o amigo seja reeleito. Afinal, o técnico é uma espécie de ‘craque’ da torcida. A torcida confia nele. Ninguém (quase) questiona sua qualidade.

E funciona. Teixeira é re-re-re²eleito. Mas Luxemburgo, como já sabido nos corredores iluminados da Princesa Isabel, sai.

E quem vem para o lugar é um velho conhecido: Émerson Leão. Aquele boca-dura, que topa desafios, que não tem mais nada a perder depois de campanhas (e saídas) polêmicas nos rivais Corinthians e São Paulo. Leão, como dizem por aí, encara a idéia como um desafio na sua carreira.

A teoria
Marcelo Teixeira, apesar de todo o amadorismo e de todo o nebulismo que cercam sua administração, tem uma idéia na cabeça: tornar o Santos um clube auto-suficiente. Grande. Poderoso. Como foi nos idos de 60. Pensa em buscar no passado a chave para o futuro.

O plano envolve principalmente o investimento nas categorias de base. Os meninos, que são a menina dos olhos do mandatário, devem salvar o Santos. Levá-lo ao Céu. Nem que antes precisem ir ao inferno.

Lembrem-se das palavras de Leão, frisadas com tanta ênfase: CUSTE O QUE CUSTAR!

Com o alto investimento na base, nos olheiros, nos diretores juvenis, o Santos amealha uma meninada boa de bola – e que renderá um bom dinheiro em negociações. Com isso, gera mais dinheiro do que gasta, já que não dependerá de contratações milionárias. Craques a gente faz em casa, como diria o Flamengo tempos atrás.

Impossível surgirem novos Diegos e Robinhos ano após ano. Entretanto, ainda que não surjam times geniais, Teixeira espera pelo menos tirar dos CTs juvenis talentos competitivos. Times com os quais o Santos possa disputar seus campeonatos com bravura e lutar nas primeiras colocações. E isso está longe de ser impossível.

Com o tempo, esses meninos-promessas crescem e, mais importante, aparecem. E novos meninos surgem para substituí-los, já que, depois da engorda, vem o abate.

Aquele “custe o que custar” deixa na Vila um ar de deja vù. Para mim parece claro que há um pacto, como o feito com Lula antes da geração dourada. Um pacto de apoio aos atletas revelados e ao técnico, para que se consume o plano principal, que é o da auto-geração de talentos. E esse plano deve ser levado adiante custe o que custar.

Leão, ao chegar, dá uma pisada no calo de Teixeira e, colocando suas vaidades pessoais à frente do apalavrado com o chefe, bota a boca no trombone e desanca a comissão técnica anterior e tudo o que  a envolvia, inclusive o Cepraf, outra menina dos olhos dos Teixeira.

Nem assim é dispensado.

Nada, nenhum resultado negativo, nenhum revés, será capaz de derrubar o técnico. Afinal, o resultado não é esperado para agora.

Por isso acredito que a torcida deva se demover de toda e qualquer esperança de título neste ano. E, pelo “custe o que custar” que escapou da boca do comandante santista, passo até a temer pela nossa colocação neste campeonato paulista. Mas, mais uma vez, a coisa vai muito além de um campeonato regional. Trata-se de um projeto para o futuro. Uma boa causa.

Pela primeira vez em anos, vejo Marcelo Teixeira empenhado em um projeto de longo prazo, um projeto que pregue a seriedade na administração do Santos FC. Um projeto para o Santos do futuro.

Um Santos FC independente de empresários e seus embustes. Um Santos FC gerador de talentos, garimpando meninos pelo Brasil, trazendo-os aos campos da Vila. Dando estrutura e cobrando empenho. Subindo-os aos profissionais.

Perfeito e digno de aplausos, ao meu ver. Entretanto, sempre há um porém. Ou, porém, sempre há um entretanto…

Em primeiro lugar falta resolver um assunto de extrema urgência: o tratamento reservado aos empresários. Esses podem colocar abaixo todo o plano dos Teixeira. Sinceramente, não sei como se livrarão dessa praga daninha. Talvez pudessem colocar o Zito para cuidar disso…

Além disso, para o início desse projeto ousado, Teixeira precisaria botar a mão no bolso por uma última vez. Contratar nomes que pudessem levar os meninos pelas mãos. Atletas com experiência para passar, de boa índole, bons de bola, com passagens por clubes importantes ou até mesmo a Seleção.

Sem esses, quem serão os exemplos dos meninos? Rodrigo Souto, por melhor que jogue, não tem retaguarda para isso. Fábio Costa, por mais ídolo da torcida que seja, temos que convir que não pode ser encarado como exemplo para quem está começando. Do elenco atual, apenas Kléber cumpre bem essa função.

Falta alguém para começar! Falta alguém cerebral para dar a mão aos meninos, passar conselhos, não deixar que se abatam diante de um revés. Alguém que lhes puxe de volta ao chão quando seus egos forem inflados pela mídia e pela torcida.

Teixeira prometeu reforços do exterior. Oxalá sejam esses os que tomarão as rédeas dos meninos para que, depois, eles possam andar pelas próprias pernas. O começo do trabalho precisa passar por esse caminho.

Mas nem o próprio Émerson Leão acredita nisso. Devemos nós acreditar?

E nós, como torcida, onde entramos nisso?

Primeiro, devemos esperar que haja seriedade por parte da diretoria para tocar esse plano com a eficácia que ele merece.

Além disso, eu, pelo menos, pretendo acompanhar de perto o desenrolar dessa situação. Se eu perceber que tudo o que eu penso que está acontecendo se confirmar, eu entro no pacto. Espero pacientemente esse novo lugar que o Santos terá na história. Ainda que hajam tropeços. Se o que estiver em jogo for o futuro do Santos, dou meu apoio incondicional. Custe o que custar.

Mas bastará um dos novos talentos ir embora sob circunstâncias misteriosas, uma pisada em falso do mandatário, para eu realmente me decepcionar. Nesse caso, o único caminho para os torcedores será o das urnas.

Sobre Marcelo Teixeira e outras ponderações

Interessante como ultimamente alguns santistas têm ficado meio cegos, pra não dizer um termo mais ofensivo. Alguns perderam a capacidade de discernir sobre coisas óbvias, separar o joio do trigo. Basta você elogiar o time, elogiar um jogador, pedir apoio à equipe, e já vem um desavisado falar que você “ama o Marcelo Teixeira”.

Bom, para mim é muito claro que uma coisa não tem NADA, absolutamente NADA a ver com a outra. Eu, que sou otimista confessa, que brigo pelo apoio incondicional ao time, sei que isso não anula as cobranças à diretoria. Mesmo porque eu quero mais, sempre mais.
Para os críticos de primeia hora, já aviso: sou CONTRA a administração Marcelo Teixeira como ela se mostra. Já fui favorável, sim. Não nego. Nenhuma vergonha nisso, já que foi um presidente que, queiram ou não, fez coisas positivas pelo clube. E outras tantas negativas, que poderia enumerar aos borbotões para delírio dos contrários.
Mas hoje em dia, acho que deu. Já chega. Não dá mais para suportar um presidente que acha que ele É o próprio poder. Democracia e revezamento de cabeças sempre fizeram bem. Não é possível num mundo como o de hoje tolerar a não-alternância de poder.
Um dos problemas sérios da administração Teixeira é a absoluta falta de transparência, o que dá margens às mais severas críticas. Justas. Não se sabe se o Santos está quebrado ou não, se o Teixeira não contrata porque não tem dinheiro ou porque tem outra coisa em mente. Não se sabe nada. Por isso bate-se tanto na administração MT, e com toda a razão. Enquanto não abrir a caixa preta, ou a Caixa de Pandora, vai-se continuar batendo. Eu, inclusive.

No entanto, isso não tira a responsabilidade da torcida em apoiar os jogadores que vestem a camisa, que foram contratados para isso, enquanto esses o fizerem. Incondicionalmente. Com paixão. Da mesma forma que isso não tira a responsabilidade da torcida em participar mais ativamente da vida política do clube. Como? Associando-se. Votando.
De nada adianta reclamar na mesa do bar que a administração precisa mudar, que assim não dá, que “Fora MT” se, na hora da eleição, não estiver lá para dar sua opinião, para contribuir com o futuro que a gente quer dar ao Santos.
Está satisfeito? Ótimo! Vá lá e diga isso nas urnas, também! É responsabilidade de todos nós, que queremos que o Santos continue a ser grande, que façamos a nossa parte. Associando-se e votando. O jeito é esse. Só esse.

Que venham os meninos!

Como eu previra, devem subir dos juniores, mesmo, o lateral Carletto, o talentoso meia Paulo Henrique e o artilheiro Thiago Luiz, além do zagueiro Diego Monar. Com isso, fecha-se o time do Santos.
São grandes apostas – com plenas condições de dar certo!
Além disso, gosto quando começamos sob a vaia da maioria. Quando ninguém dá crédito. Quando a imprensa ’sabe-tudo’ avacalha.
Aliás, estava lendo o blogo do Carlos Cereto e ele fez longas considerações sobre os times paulistas… mais especialmente São Paulo, Palmeiras, Corinthians… Sobre o Santos, escreveu duas linhas, basicamente com esse conteúdo: “sem dinheiro, não contratou. Esse será um ano terrível para a torcida do Santos”.
Respeito o Cereto, mas não sei como ele pode se dar o displante de dar uma de Mãe Dinah e bater o martelo sobre essa opinião dele… Primeiro, que o time do Santos não é ruim e ele, que vive disso, devia saber. Tudo o que mudou em relação ao ano passado foi a saída do Maldonado. Ok que é uma grande perda, mas não o suficiente pra derrubar o time pra segunda divisão.
Segundo que, se esses meninos derem certo – e algo me diz que darão – ele vai ter que engolir as palavrinhas dele a seco…
Enfim, mais uma vez, os meninos terão que fazer valer o DNA do Santos e colocar esse time nas alturas. Sem medalhões. Sem contratações estapafúrdias. Como sempre foi, como sempre será!

Seja qual for a sua sorte…

“Eu te disse, eu te disse”.

Ouvi isso, hoje, de irmãos de clube. Santistas como eu, mas que não acreditam no próprio time.
Rogam pela derrota para mostrar suas razões. Que o técnico não presta. O time não presta. Cegos, acreditam que cairemos para a segunda divisão de tudo o que disputarmos. Até da Libertadores, se lá Segunda Divisão houvesse.
Só o que eu tenho a dizer é: nada mais triste que ver irmãos de clube se regozijando da própria derrota só para provar uma suposta certeza.O que vi no jogo de ontem, basicamente, é um time novo. Em formação. Que precisa de entrosamento. Nada catastrófico.Um time bom que perdeu peças importantes – Kléber e Souto por contusão, Maldonado às vésperas – e, ainda assim, lutou.
Mas um time às cegas, onde um não achava o outro em campo. A palavra que faltou foi entrosamento.Não vou dizer o óbvio, que precisamos de um meia de criação. Mesmo porque pelo time de ontem não dá pra julgar, já que as poucas peças de meio-de-campo que temos não jogaram. Mas sou sair do campo racional. Não vou analisar o time, posição por posição. Vou filosofar.

Temos revelações que podem mostrar-se surpreendentes. Temos jóias nas categorias de base – as mesmas categorias de base que sempre foram os pilares do Santos, desde os tempos de Arnaldo Silveira, Haroldo Pires Domingues, Ari Patuska.

Hoje, parece que os torcedores deram para negar seu passado glorioso. Preferem contratações, sejam elas quais forem. Seja lá quantas forem. Começaram a menosprezar o que meninos podem ser capazes de fazer. E temos uma lista deles. Talvez mais do que qualquer outro clube no Brasil. Mas os torcedores deram para negar seu passado. Santos, teu segundo nome é tradição. Não renegue isso, jamais.

Por mim, vou esperar. Como sempre fiz, esperar com fé.

O Santos FC nasceu sob o signo de áries. Sua representação é a ave mitológica Fênix que renasce das cinzas, mais pura e mais forte do que antes. Áries simboliza o nascimento, o início, o despertar de uma nova realidade.

Quem conhece um pouco da história do time, por menos que acredite em astrologia, não pode duvidar do seu poder de superação.

Começamos o ano passado tropicando. Disse que seríamos campeões. Fizeram pouco. Irmãos de clube, até mais que os adversários, riram de mim. Terminamos com o título Paulista e, alguns, com cara de indagação. Eu, não. Eu acredito. Sempre.
E novamente eu acredito. Insistente. Persistente. Até a matemática dizer que não, eu continuo acreditando. Mas eu sou quase uma gota d’água cercada de deserto. Cada vez que eu tenho que relembrar que a história nos favorece, que o Santos já nos ensinou a não duvidar dele, sempre, dia após dia, confesso que chego a desanimar, parece que estou dando murro em ponta de faca.
Mas a minha parte eu faço. Continuo. Persistente. Agora, se não der, não serei menos santista por isso. Não deixarei de torcer, sempre, fervorosa e irritantemente. Nunca, jamais, deixo me orgulhar desse escudo. Não importa o resultado dos jogos, estou com a minha camisa, empunho minha bandeira. Não é um jogo que me fará maldizer meu amor. Não é um campeonato. É questão de se orgulhar da história, de se emocionar com os fantasmas que rondam a grama Sagrada da Vila Belmiro. Neles, acredito sempre.
Isso porque pra mim Hino é coisa sagrada. E eu levo à sério quando ele diz “seja qual for sua sorte, de vencido ou vencedor.”

Está aberta a temporada de especulações

Bom, além dessas aí que eu coloquei abaixo, outros nomes surgem nos bastidores da Vila…

Diz-se que o Santos oferecerá o Kléber (LE) ao Benfica em troca do Léo (nosso eterno LE) + Diego Souza + $$

E comenta-se também no nome do zagueirão Argel. Aquele mesmo, da bicuda no banco de reservas do Palmeiras.

Olha, sobre todas essas especulations, eu tenho uma opinião: só acredito vendo!

Acho que, desses que eu postei ontem, só o Éder Luiz e o Thiago, goleiro, me trazem uma pulga atrás da orelha. Ferreira e Bolívar cairiam como uma luva. Mas ainda falta um 10.

Sobre essas especulações novas, a idéia da troca do Kléber pelo Léo já me agrada muito. Nada contra o Kléber, mas tudo a favor do Léo. Diego Souza também faria um bom papel.

Quanto ao Argel… Bom, se quando era novo já batia até na mãe, imagino agora que nem forma física tem mais. Digamos que é um Domingos com um pouco mais de talento – e de idade. Seria um baita xerife na Libertadores, desde que não tenha se transformado em um cabeça de bagre.

Acho que é melhor esperar pra ver o que se confirma e o que não se confirma.

(em tempo: será que a imprensa esportiva acha MESMO que todo mundo vai pro Fluminense??)

Meu humor do dia

Não provoque. Sou cor-de-rosa choque!

(Rita Lee)

[old] Incrível (Do Aurélio: s.m. o que é difícil de acreditar)

Liberado PM suspeito de morte em “guerra de ovos”

O policial militar Álvaro Pereira da Silva, suspeito de provocar a morte de Maria Cícera Santos, 24 anos, ao atirar para cima durante uma operação na favela São Remo, no bairro do Jaguaré, zona oeste de São Paulo, vai responder ao processo em liberdade. Autuado ontem em flagrante pelo crime de homicídio culposo, sem a intenção de matar, ele pagou fiança de R$ 350 e foi liberado.

Segundo o boletim de ocorrência registrado no 93º distrito policial, do Jaguaré, a Polícia Militar foi chamada para conter uma “guerra de ovos” que ocorria entre os moradores. Sem conseguir entrar no local, os policiais chamaram o reforço de novas viaturas, que teriam sido recebidas com ovos e pedras.

O policial então teria disparado para o alto para conter o tumulto e teria atingido Maria Cícera, que estava sobre uma laje. De acordo com um dos policiais do 93º DP, o soldado teria assumido a autoria do disparo, mas teria dito que do ângulo em que estava o tiro não poderia ter atingido a mulher.

A arma de Silva e de outros três policiais foram recolhidas para perícia. Um exame necroscópico também será feito. Os laudos das perícias devem concluir se o disparo que matou Maria Cícera foi efetuado pela arma do policial ou não.

[old] Tenho medo. E tenho vergonha do que estou sentindo.

Estava evitando escrever e comentar sobre a barbárie que aconteceu no Rio de Janeiro, e que poderia acontecer em qualquer outro lugar onde houvesse três ou quatro demônios sem alma.

Eu, que sempre fui absolutamente contra pena de morte, me peguei pensando nisso. Que tipo de gente esses monstros se tornarão depois desse episódio? Que tipo de aberração faz com que o próprio pai diga que preferiria ver o filho morto a conviver com um monstro? E, acredite, se o próprio pai diz isso, quem sou eu pra duvidar!

Sinto medo. Muito medo de que uma coisa assim aconteça comigo, com alguém da minha família. Não adianta. Sempre que acontece algo assim, o ser humano acaba tendo esses pensamentos egoístas, de pensar apenas “ai, se fosse comigo!”. Não somos capazes de avaliar, sinceramente, o sofrimento da mãe, da irmã, da família. Sempre comparamos com as reações que nós teríamos, com o sofrimento que nós sofreríamos. É natural, é normal. Mas sinto vergonha.

Sinto vergonha de não poder fazer nada. Sinto vergonha por não poder, pelo menos, abraçar essa mãe. Dizer que sinto muito, apesar de não adiantar nada. Penso em como ela deve se sentir olhando para o quarto vazio do filho. Pensando no horário da escola, na hora do almoço, das brincadeiras, no jantar. O lugar vazio, o coração vazio. A alma, coitada da alma, despedaçada. Que pena que os que fizeram isso não têm alma para despedaçar!

E penso, também, no que dá pra fazer, se é que dá pra fazer alguma coisa. A maldade é inerente ao ser humano. Li, certa vez, que toda pessoa nasce com instinto assassino, mas se controla ao longo da vida. Exceto uns ou outros.

De toda forma, se não dá pra coibir, pelo menos dá pra reprimir. Encarcerar esses malditos em regime de trabalho forçado por toda eternidade é uma das formas. Um tiro da cabeça de cada um é outra. Mas, realmente, o que acontecerá com eles?

Ficarão, no máximo (que é o que a lei permite) 30 anos presos. Tomando banho de sol. Ligando de seus celulares. Quiçá, virarão crentes na cadeia e sairão por bom comportamento pra visitar seus parentes do Natal. Menos um deles, aquele cujo pai o quer morto…

O que dói mais, além da dor infinita da perda e do horror, é a dor da certeza da impunidade. Hoje, rouba-se, estupra-se, mata-se uma criança de 6 anos porque se tem certeza de que nada, absolutamente nada vai acontecer. Ainda há a prerrogativa de passar a autoria do crime para um menor de idade. Aí, é bingo: nada vai acontecer, mesmo.

Estamos numa sinuca de bico. Quem deveria pensar em mudar as regras do jogo está mais preocupado com a fantasia do carnaval. Então, fico pensando seriamente na letra de uma música do Gabriel O Pensador, que sempre me vêm à cabeça! Mais atual, impossível!

Não adianta olhar pro céu, com muita fé e pouca luta.
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer
e muita greve, você pode, você deve, pode crer.
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver.
Se liga aí que te botaram numa cruz e
Só porque Jesus sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer.

Até quando você vai ficar usando rédea?
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea? (Pobre, rico, ou classe média).
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura.
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura.

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente,
seu filho sem escola, seu velho tá sem dente.
Você tenta ser contente e não vê que é revoltante,
você tá sem emprego e a sua filha tá gestante.
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo,
você que é inocente foi preso em flagrante!
É tudo flagrante! É tudo flagrante!

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai fica sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?

A policía matou o estudante, falou que era bandido, chamou de traficante.
A justiça prendeu o pé-rapado, soltou o deputado e absolveu os PMs de Vigário

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai fica sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?

A polícia só existe pra manter você na lei,
lei do silêncio, lei do mais fraco:
ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco.
A programação existe pra manter você na frente,
na frente da TV, que é pra te entreter, que é
pra você não ver que o porgramado é você.

Acordo, não tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar.
O cara me pede o diploma, não tenho diploma, não pude estudar.
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado, que eu saiba falar.
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá.
Consigo um emprego, começa o emprego, me mato de tanto ralar.
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar.
Não peço arrego, mas onde que eu chego se eu fico no mesmo lugar?
Brinquedo que o filho me pede, não tenho dinheiro pra dar.

Escola, esmola! Favela, cadeia!
Sem terra, enterra!
Sem renda, se renda! Não! Não!!

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai fica sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.
E quando a mente muda a gente anda pra frente.
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura.
Na mudança de postura a gente fica mais seguro,
na mudança do presente a gente molda o futuro!
Até quando você vai ficar levando porrada,
até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
Até quando você vai levando?

O tempo é curto. Curta o tempo!

Puts! Há quanto tempo não posto nada. Só por isso já dá pra perceber que o tempo anda cada vez mais curto.

E isso me faz refletir (como boa geminiana, tudo é motivo pra eu sentar e refletir… Chaaaaata! ;-)

Poxa, se o tempo é tão curto, preciso curtir o tempo antes que ele passe!

Vejo isso, também, através das grades do berço. Meu filhote já fez sete meses!! Já fica em pé (com apoio, claro…), entende tudo o que falamos com ele, já faz carinhos na gente voluntariamente. Dá beijos, muitos beijos – tantos quantos ele recebe :-)

O trabalho, apesar de muito, está bom! Adoro quando tem bastante coisa para fazer, porque não dá tempo de ficar entediada. E, convenhamos, não há NADA nesse mundo que seja tão chato quanto ficar entediada.

Por isso, eu curto o tempo, mesmo quando estou ocupaçada. E curto muito, porque ele é muito curto…

E não é que tá dando certo?!

É… Meu Santos, com todas as deficiências do mundo, com elenco limitado (eu tenho, e quem não tem?) tá nas cabeças do campeonato, com 5 pontos de vantagem em relação aos segundos colocados.

Não falo mais nada! Quem sabe assim dá certo?

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