Arquivo paraSetembro 10, 2008

Desvendando Jão

Ele nasceu em Santos. Cresceu e viveu com os manos da periferia, no morro onde foi criado.

Frequenta estádios desde sempre, sempre com os mesmos amigos “de peita”: Cara de Boi, Pança, Ananias, Caveirinha, Tatuapú, Magnata, Pé de Burro, Marreco, Cavalo, Tony Saci, Cabelão, Perna de Grilo, Quexinho, Juarez, Sandoval, Grauber, Cumprido, Espeto, Presença, Zitão, Negralha e Monstrinho.

Cada um desses nomes tem um significado e remete a pessoas que são, realmente, do convívio desse que é um sucesso entre os blogs santistas.

Claro que estou falando do “Prozero com Jão”, aquele que conseguiu angariar a simpatia da periferia e classe média, dos playboys e suburbanos.

Falando o idioma do morro, do “mano” da periferia, Jão juntou todas as classes sociais em uma só língua: a do amor ao Santos.

Tirando o jeito de escrever – com um português corretíssimo, típico de quem domina o idioma – o criador do Jão muitas vezes mistura-se à criatura.

Ex-cantor de rap, grafiteiro e assíduo de arquibancada, tem o mesmo furor para torcer que sua versão “virtual”.

O caráter e o amor ao clube são os mesmos. O bom humor e o carisma também. Típico “gente boa”, sabe como é?

Figura fácil pra sair e tomar uma “breja”, Jão é sucesso também entre torcedores de outros times.

A idéia da criação do blog surgiu do dia-a-dia, mesmo. Estava falando com um amigo sobre blogs quando um outro amigo, funkeiro, o chamou para conversar. O papo rolou cheio de gírias. Aí aconteceu o “click”, de escrever um blog santista com as gírias que conhecia do seu tempo de morro.

Só não imaginava que fosse dar tão certo.

O sucesso foi tão grande que, em um mês, o blog recebeu o convite para mudar de casa, e passou a ser hospedado no Santista Roxo.

Com quase 11 mil acessos mensais, o Blog do Jão é quase uma unanimidade. Com seus jargões e jeito despachado de escrever, ganhou comunidades no Orkut e virou frase feita. Seu “sou insentável” virou o lema dos santistas de arquibancada.

Quer conhecer quem criou esse sucesso? Fácil! Vila Belmiro, arquibancada inferior ao retão. Basta procurar a figura que fica correndo atrás do bandeira feito um insandecido e se recusa a sentar mesmo no intervalo.

O que pensa o Jão sobre:

Setor Visa:
Seria sensacional, fosse feito nas numeradas, que já é um espaço coberto e está sempre vazio. O retão é a pressão da Vila. Um lado já está morto, agora o outro.. Logo a Vila vai virar um teatro. Quem está dentro do camarote pode gritar, cantar, xingar à vontade, para os jogadores é mais um MUDO no estádio.

Categoria de base:
Aparentemente funciona bem, mas muitos jogadores bons não são aproveitados. O Flávio Antunes, Flavinho que foi lateral do Santos, fez uma denúncia faz um tempinho no Esporte por Esporte, disse que o filho do Lino é lateral direito e que nenhum lateral foi aprovado nos testes desde que ele assumiu. Estranho isso.

Marcelo Teixeira
No começo ele se atrapalhou demais, até porque o Santos estava sem dinheiro, colocou dinheiro do bolso, contratou na emoção um monte de veteranos e tal. Com o time de 2002 o jogo virou. Se ele tivesse saído da presidência em 2004 hoje seria ovacionado, mas se atrapalhou mais uma vez. Não acho que ele seja ladrão, mas pra mim é um péssimo administrador.

Momentos de Jão
Os momentos mais engraçados que eu vivi – pelo menos, os mais recentes – foram o seguintes: no jogo contra o Atlético Mineiro eu correndo uns 10 minutos atrás do bandeira.. No jogo contra o Vitória, um monte de gente cornetando o KP e quando ele fez o segundo gol em vez de comemorar eu virei e saí correndo na direção dos cornetas xingando. Contra o Cruzeiro eu e Caveirinha marcando o Jadílson ali na lateral e ele não voltou pro segundo tempo.

O mais tenso foi contra o Atlético Mineiro, em que eu sem querer fiquei no meio da confusão. Também em um Santos e SP, 3×3, a polícia subiu a arquibancada batendo na torcida e eu rolei a arquibancada e me estourei todo.

Soletrando
Se você tem dificuldades em ler o Prozero com Jão, não perca o dicionário Jãozes-Português:

Prozero: conversa
Peita: camisa
Goma: casa
Fita: assunto, episódio. “Não teve jogo mais teve umas fita nervosa” = “Não teve jogo, mas aconteceram coisas preocupantes”
Bang: negócio, assunto. “Fui resolver uns bang”Boladão: preocupado
Osso: duro de
agüentar. “Tá osso”
Radinho: celular
Gelar o peito: beber cerveja
Bonde: grupo de amigos
Bote: bar
Pé de breque: quem não anda pra frente nunca