Arquivo paraSetembro, 2008

Desvendando Jão

Ele nasceu em Santos. Cresceu e viveu com os manos da periferia, no morro onde foi criado.

Frequenta estádios desde sempre, sempre com os mesmos amigos “de peita”: Cara de Boi, Pança, Ananias, Caveirinha, Tatuapú, Magnata, Pé de Burro, Marreco, Cavalo, Tony Saci, Cabelão, Perna de Grilo, Quexinho, Juarez, Sandoval, Grauber, Cumprido, Espeto, Presença, Zitão, Negralha e Monstrinho.

Cada um desses nomes tem um significado e remete a pessoas que são, realmente, do convívio desse que é um sucesso entre os blogs santistas.

Claro que estou falando do “Prozero com Jão”, aquele que conseguiu angariar a simpatia da periferia e classe média, dos playboys e suburbanos.

Falando o idioma do morro, do “mano” da periferia, Jão juntou todas as classes sociais em uma só língua: a do amor ao Santos.

Tirando o jeito de escrever – com um português corretíssimo, típico de quem domina o idioma – o criador do Jão muitas vezes mistura-se à criatura.

Ex-cantor de rap, grafiteiro e assíduo de arquibancada, tem o mesmo furor para torcer que sua versão “virtual”.

O caráter e o amor ao clube são os mesmos. O bom humor e o carisma também. Típico “gente boa”, sabe como é?

Figura fácil pra sair e tomar uma “breja”, Jão é sucesso também entre torcedores de outros times.

A idéia da criação do blog surgiu do dia-a-dia, mesmo. Estava falando com um amigo sobre blogs quando um outro amigo, funkeiro, o chamou para conversar. O papo rolou cheio de gírias. Aí aconteceu o “click”, de escrever um blog santista com as gírias que conhecia do seu tempo de morro.

Só não imaginava que fosse dar tão certo.

O sucesso foi tão grande que, em um mês, o blog recebeu o convite para mudar de casa, e passou a ser hospedado no Santista Roxo.

Com quase 11 mil acessos mensais, o Blog do Jão é quase uma unanimidade. Com seus jargões e jeito despachado de escrever, ganhou comunidades no Orkut e virou frase feita. Seu “sou insentável” virou o lema dos santistas de arquibancada.

Quer conhecer quem criou esse sucesso? Fácil! Vila Belmiro, arquibancada inferior ao retão. Basta procurar a figura que fica correndo atrás do bandeira feito um insandecido e se recusa a sentar mesmo no intervalo.

O que pensa o Jão sobre:

Setor Visa:
Seria sensacional, fosse feito nas numeradas, que já é um espaço coberto e está sempre vazio. O retão é a pressão da Vila. Um lado já está morto, agora o outro.. Logo a Vila vai virar um teatro. Quem está dentro do camarote pode gritar, cantar, xingar à vontade, para os jogadores é mais um MUDO no estádio.

Categoria de base:
Aparentemente funciona bem, mas muitos jogadores bons não são aproveitados. O Flávio Antunes, Flavinho que foi lateral do Santos, fez uma denúncia faz um tempinho no Esporte por Esporte, disse que o filho do Lino é lateral direito e que nenhum lateral foi aprovado nos testes desde que ele assumiu. Estranho isso.

Marcelo Teixeira
No começo ele se atrapalhou demais, até porque o Santos estava sem dinheiro, colocou dinheiro do bolso, contratou na emoção um monte de veteranos e tal. Com o time de 2002 o jogo virou. Se ele tivesse saído da presidência em 2004 hoje seria ovacionado, mas se atrapalhou mais uma vez. Não acho que ele seja ladrão, mas pra mim é um péssimo administrador.

Momentos de Jão
Os momentos mais engraçados que eu vivi – pelo menos, os mais recentes – foram o seguintes: no jogo contra o Atlético Mineiro eu correndo uns 10 minutos atrás do bandeira.. No jogo contra o Vitória, um monte de gente cornetando o KP e quando ele fez o segundo gol em vez de comemorar eu virei e saí correndo na direção dos cornetas xingando. Contra o Cruzeiro eu e Caveirinha marcando o Jadílson ali na lateral e ele não voltou pro segundo tempo.

O mais tenso foi contra o Atlético Mineiro, em que eu sem querer fiquei no meio da confusão. Também em um Santos e SP, 3×3, a polícia subiu a arquibancada batendo na torcida e eu rolei a arquibancada e me estourei todo.

Soletrando
Se você tem dificuldades em ler o Prozero com Jão, não perca o dicionário Jãozes-Português:

Prozero: conversa
Peita: camisa
Goma: casa
Fita: assunto, episódio. “Não teve jogo mais teve umas fita nervosa” = “Não teve jogo, mas aconteceram coisas preocupantes”
Bang: negócio, assunto. “Fui resolver uns bang”Boladão: preocupado
Osso: duro de
agüentar. “Tá osso”
Radinho: celular
Gelar o peito: beber cerveja
Bonde: grupo de amigos
Bote: bar
Pé de breque: quem não anda pra frente nunca

Irreversível

Vi ontem, durante o jogo contra o Vitória na Vila, um Santos diferente do Santos que vinha se mostrando (arrastando) desde o começo do campeonato.

Era um Santos aguerrido. Lutador. Com vontade. Um Santos suado.

Com base nos últimos jogos, e olhando atentamente as feições dos jogadores ontem, posso concluir, sem medo de errar, que a recuperação do Santos é irreversível. Já estamos provisoriamente fora da zona da degola, mas nossa saída definitiva é questão de tempo. Pouco tempo.

Enquanto alguns times estão pedindo “pelo-amor-de-Deus” para entrarem nesse buraco – caso do Atlético Paranaense e da Portuguesa, o Santos não se entregou. Ao contrário dos jogos do meio do primeiro turno, quando jogava por jogar, apático, triste, esperando a morte chegar, o novo Santos joga com vontade, mesmo, de sair da degola.

Alguns fatores, é claro, contribuíram para essa mudança de espírito. A demissão do Cuca foi o primeiro deles. O homem não conseguia colocar um esquema tático, ninguém sabia onde jogar, era lateral jogando de meia, meia jogando de volante, zagueiro não jogando que era uma beleza.

Mas, na minha opinião, o que determinou o ressurgimento do Santos foi a volta de Rodrigo Souto. Com muito mais garra do que tinha à época do seu afastamento, o homem voltou pra jogar bola. Distribui jogadas, faz passes, toca, chuta… Tá comendo a bola, como diz papai.

A vontade de Souto contagiou o resto do elenco. Isso, claro, sem contar com os novos reforços, Bida e Wendel, principalmente. Todos eles arrumaram nosso meio de campo, liberaram os laterais (por falar nisso, jogou pouco mas jogou bem o Pará, hein! Tô gostando de ver) e deram mais segurança à zaga.

Tirando nosso artilheiro, que bota pra dentro todas que não perde (e são muitas, mas pelo tanto que marca já tá ótimo!!). Como eu já disse em outras colunas, o bom de ter Kléber Pereira no time é que, sempre que sai gol, você não precisa se preocupar em saber quem marcou…

É isso. Nosso caminho é irreversível. Será uma recuperação retumbante. E aos antis, que davam nossa queda como certa, um lembrete: TIME GRANDE NÃO CAI! Pode tropeçar, mas se recupera.

Vôa, fênix!