Arquivo paraAgosto, 2008

Tá começando a ficar bom…

Desde que eu soube da absolvição do Rodrigo Souto no caso do doping e do Santos no caso da pancadaria na Vila, comentei com algumas pessoas que me parecia que o vento começava a trocar de lado…

Fosse em outros tempos, tomaríamos um gancho de 120 dias com a Vila fechada e o Rodrigo Souto seria banido do futebol, tamanha era a zica.

Nunca fui de acreditar muito nesses lances de sorte, azar… Mas ultimamente, acredito até em duendes se eles ajudarem, com seus bracinhos e perninhas, a tirar meu time da lama.

Não assisti ao jogo ontem. Apenas ouvi uns trechos pelo rádio, até que uma desgraçada rádio pirata tomou o sinal e passei a ouvir o Pastor Carlos orando pelas almas perturbadas. Uma delas, aliás, era a minha, já que tive que saber o resultado do jogo pelas bolinhas que pulavam na tela da Globo.

Era pular uma bolinha e meu coração pulava junto… não recomendo para ninguém.

Mas vi alguns momentos pelo VT. E gostei do que vi.

Vi o Kléber Pereira, mais uma vez, botando pra dentro.  O bom é que quando sai gol do Santos não precisa nem perguntar “de quem foi”…

Vi que o Kléber Chicletinho não fez falta.

Vi que o Domingos QUASE faz falta na área de novo…

Vi um Eller tocando a bola, passando direito e sem frescura. Saindo jogando.

Vi um Molina voltando à boa forma.

Vi um Souto com vontade, mandando no meio-campo. Saudades…

Eu vi, amigos, eu vi. Vi uma luz no fim do túnel. E vocês não sabem como eu estou me apegando a ela…

Um time com dedo de Chulapa

O Santos estava diferente ontem. E não era apenas a formação tática com dois zagueiros e três volantes.

O espírito estava diferente.

O toque de bola voltou. O meio de campo existia. Os volantes fizeram a marcação e botaram o jogo pra acontecer. Brum e Wendel acertaram o caminho. E o Michael jogou muito!

O time envolveu o outrora forte Flamengo. Tomou um gol zicado, de pebolim. Mas reagiu e foi pra cima.

O bravo Kléber Pereira reencontrou o caminho das redes. Perdeu vários, mas guardou dois. Ótimo!

Incomodava-me o fato do Domingos ir com os braços em todo lance. Vai acabar comprometendo, pensei.

Não deu outra.

Final do jogo, num lance despretensioso do Ibson, eis que aparece o truculento zagueiro santista e empurra o rubro-negro na área. Assim, infantilmente, como se o juiz fosse burro ou cego.

Empate com gosto amargo para um time que jogou bem contra um adversário de peso. Vontade não faltou. Time com cara de Chulapa. Aliás se eu fosse o Chulapa daria uma cabeçada no Domingos por ter perdido dois pontos pra gente ontem.

Ainda bem que não sou…

Duas notas (muito) tristes: a primeira vai para a contusão seríssima de Maikon Leite. Rompendo todos os ligamentos do joelho e deslocando a rótula, ficará afastado até, pelo menos, o final do ano.

Deus dê a ele persistência para que possa superar isso tudo e voltar aos gramados. Não será fácil, menino. Mas não desista, você é MUITO BOM e tem uma ótima carreira pela frente.

A outra vai para o torcedor que agrediu o meia Molina no camarote. E ainda saiu correndo pra não tomar uma piaba do Fábio Costa. Ô, cabeça de pastel, que passou pela mente nessa hora?! “Pô, vou dar um murrão no Molina, aí quem sabe o Santos ganha pontos e sai da zona”? Puts, vai ser burro assim no inferno.

A única coisa que se ganha fazendo um troço desses é pagar de ridículo, covarde e mané. E correr o risco de ver um cara que podia ajudar jogando fazer a malinha dele e dar linha na pipa… Tem cada um…

Palestra motivacional do Chulapa

Peço licença ao meu amigo Jaime para reproduzir um diálogo criado por ele, imaginando como seria a preleção do Chulapa. Fictício?!

Mas eu adoraria ter visto a palestra do Chulapa.

Como ele deve ter feito pra motivar os “craques”?

- Ae galera negócio é o seguinte, porra: vamo ganhar do Flamengo, limpar a barra com a torcida e aí na segunda-feira a gente faz aqueeeele churrasco, beleza! Kléber Pereira, tu fica encarregado da caipirinha!
- Pô, Chulapa, eu podia trazer um feijoada, né?
- Ta, c****! F***-se! Traz a feijoada e a capirinha! Kléber, tu cuida da breja!
- Dêxa comigo, Chulapa!

Aí deve ter surgido uma voz bem tímida:
- E eu, Chulapa? No que posso contribuir?
- Rodrigo Souto, meu velho, você traz sal…mas é sal, porra! Molina, vai com ele pra garantir o sal!
- Jo entendo de sal!

Escrever o que?

Todo pós-jogo do Santos tem sido a mesma coisa modorrenta, enfadonha, chata, deprimente.

Não tem o que analisar taticamente, porque o time é ruim. Pior que tudo o que eu já vi. Pior que Ijuí, Pedro Paulo, Totonho, Camilo e Marco Antônio Cipó.

Mas a gente continua assistindo. Como diria um conhecido meu, jogo do Santos, agora, parece aquelas homenagens de escola pra mãe: a gente sabe que é chato, sabe o que vai acontecer, sabe como vai terminar, mas continua participando por amor.

Hoje a maioria do time do Santos é de jogadores ruins. Boa parte deles, péssimos. Outra parte, bons, mas sem vontade.

Ontem vi um capiau, não consegui enxergar quem era, que estava na entrada da área do Náutico. Os caras tocando a bola na frente dele, a redonda passou a um metro da perna do fulano e ele sequer esticou a perna. Preferiu deixar a zaga do Náutico tocar. Era mais cômodo, dava menos trabalho.

Sou a favor de deixar esses caras umas duas horinhas com o seu Zito, pra ele contar um pouco do que é aquela camisa. Do que ela significa, para esses trastes usarem-na como pano de limpar bunda. Um workshop de história. Se bem que, com a grana pingando (jorrando!) na conta deles todo mês, duvido que “estejam aí” pro que está acontecendo.

Aqui cai o último bastião da fé santista. Eu, a otimista patológica, começo a me preparar psicologicamente pra conhecer a Boca do Jacaré.

Mas isso tem volta… se tem…

A volta do faz-me rir

Durou pouco! A boa vitória sobre o fraco Vasco e a ótima vitória sobre o ótimo Inter no Beira Rio ofuscaram um pouco a realidade que assombra a Vila Belmiro.

Os últimos dois jogos, porém, deram-nos um banho de verdades. A primeira delas, e mais perceptível, é que o Santos virou mesmo saco de pancadas. Dentro de sua própria casa, até. O time que já colocou o Real Madrid pra correr hj é motivo de chacota, de risada.

Ontem conseguimos estar ganhando por 2 a 0 em casa e permitir a virada. Isso ante ainda pior que o nosso.

A segunda verdade é que o time, em uma primeira olhada, ruim. Não tão ruim, pelo menos. Mas não joga.

Não podemos dizer que o Kléber lateral seja ruim. Ninguém desaprende a jogar bola. E não dá pra dizer que quando ele foi bom foi apenas enganação. Ele foi bom por muito tempo. Mas simplesmente perdeu o tesão.

Também não dá pra dizer que o atacante Kléber também seja ruim. Afinal, ele é um dos artilheiros do campeonato. Mas o que podemos dizer da fase de um atacante de área que marca um gol (UM GOL!!) de bola rolando em dez partidas? Hmmm…

Alguns outros nomes me vêem à mente. Molina é o primeiro deles. Não sei porquê, mas não consigo desgostar dele. Pra mim, o talento é inerente a ele. Tá na cara que sabe o que fazer com a bola. Mas desde a eliminação da Libertadores não consegue sobressair, não consegue fazer seu talento valer ao time.

Isso sem contar no ótimo Maikon Keite, que já vem sendo caçado pelos atacantes adversários, que perceberam o perigo que representa.

Um time com pelo menos quatro boas peças não pode passar pelo perrengue (vergonha!) que o Santos está passando.

A culpa é de quem? Do técnico, que além de chorão é metido a inventor? Não apenas.

Certamente, estamos pagando o preço pouco tardio por um longo período de gestão catastrófica, de sucessivos anos de ditadura de uma famiglia que resolveu não largar o osso. Simples.

Um time que revelou nos últimos anos os talentos que o Santos revelou ao mundo não pode estar, menos de cinco anos após essa nova geração dourada, vendendo o almoço pra pagar a janta.

O Santos, todo glorioso alvinegro praiano; o Santos, que parou guerra; o Santos, de Feitiço a Araken, de Pelé e Coutinho, de Guga e Giovanni, de Robinho e Diego, virou o faz-me rir versão praiana. Bonus Game!

Continuo achando que time grande não cai. Assim como acho que time grande não toma virada depois de estar ganhando de 2 x 0, em casa, contra um time em estado falimentar.

Se continuar nessa toada, amigos, não tenho dúvidas de que seremos rebaixados. O time não tem brio para sair dessa condição. A não ser que algo aconteça no segundo andar da Princesa Isabel. Algo tem que acontecer. E rápido.

Saio hoje com a minha camisa do Santos, enlutada. Orgulhosa de seus feitos, orgulhosa do seu nome, envergonhada da realidade.

Tava fácil demais…

É sempre assim…

Quando vi na rodada que a galera que tinha que perder estava perdendo, já torci o nariz…

Sempre que tá fácil demais, o caldo azeda. Parece praga de gambá!

O Cuca, claro, ajuda a zicar ainda mais, com esses esquemas doidos dele. Quatro atacantes??? Três zagueiros contra um atacante??? Valha-me, Nossa Senhora de Monte Serrat!

Era pra estamos em 11º! Mas, não… continuamos na zona da degola.

Mas por pouco tempo. Logo a gente sai desse lugar nefasto rumo ao topo. O que me convence disso? Minha fé. Só. Porque dentro de campo a coisa decepciona ao mesmo tempo que empolga.

PS1: Alguém aí quer um lateral esquerdo “de seleção”, jovem, “bem disposto”, que “sabe cruzar”? Tô vendendo, baratinho. Aceito cartão.

PS2: Combinado não é caro.  Se ofereceram uma bala pro Brum e pro Fabão, sorte deles – azar o nosso! Agora, dispensar o Brum depois de ‘dias’ de tê-lo contratado é assinar atestado de incompetência. Apesar de não precisar nem de assinatura…

Mas o que me deixou mais desanimada (sim, essa é a palavra) foi essa história de transformar a “nossa” geral em “Setor Visa”. Não dá pra acreditar!! Vão tirar todo o poder de caldeirão da Vila, o nosso direito de cuspir no adversário, de mandá-los à merda, pra botar um bando de cadeirinha acolchoada e gente comendo pipoca?! E ainda ganharemos a torcida adversária no cangote do nosso goleiro?!

Tem coisas que só o MT faz por você. Para todas as outras, você tem VISA!!!