Arquivo paraJaneiro, 2008

Sobre Marcelo Teixeira e outras ponderações

Interessante como ultimamente alguns santistas têm ficado meio cegos, pra não dizer um termo mais ofensivo. Alguns perderam a capacidade de discernir sobre coisas óbvias, separar o joio do trigo. Basta você elogiar o time, elogiar um jogador, pedir apoio à equipe, e já vem um desavisado falar que você “ama o Marcelo Teixeira”.

Bom, para mim é muito claro que uma coisa não tem NADA, absolutamente NADA a ver com a outra. Eu, que sou otimista confessa, que brigo pelo apoio incondicional ao time, sei que isso não anula as cobranças à diretoria. Mesmo porque eu quero mais, sempre mais.
Para os críticos de primeia hora, já aviso: sou CONTRA a administração Marcelo Teixeira como ela se mostra. Já fui favorável, sim. Não nego. Nenhuma vergonha nisso, já que foi um presidente que, queiram ou não, fez coisas positivas pelo clube. E outras tantas negativas, que poderia enumerar aos borbotões para delírio dos contrários.
Mas hoje em dia, acho que deu. Já chega. Não dá mais para suportar um presidente que acha que ele É o próprio poder. Democracia e revezamento de cabeças sempre fizeram bem. Não é possível num mundo como o de hoje tolerar a não-alternância de poder.
Um dos problemas sérios da administração Teixeira é a absoluta falta de transparência, o que dá margens às mais severas críticas. Justas. Não se sabe se o Santos está quebrado ou não, se o Teixeira não contrata porque não tem dinheiro ou porque tem outra coisa em mente. Não se sabe nada. Por isso bate-se tanto na administração MT, e com toda a razão. Enquanto não abrir a caixa preta, ou a Caixa de Pandora, vai-se continuar batendo. Eu, inclusive.

No entanto, isso não tira a responsabilidade da torcida em apoiar os jogadores que vestem a camisa, que foram contratados para isso, enquanto esses o fizerem. Incondicionalmente. Com paixão. Da mesma forma que isso não tira a responsabilidade da torcida em participar mais ativamente da vida política do clube. Como? Associando-se. Votando.
De nada adianta reclamar na mesa do bar que a administração precisa mudar, que assim não dá, que “Fora MT” se, na hora da eleição, não estiver lá para dar sua opinião, para contribuir com o futuro que a gente quer dar ao Santos.
Está satisfeito? Ótimo! Vá lá e diga isso nas urnas, também! É responsabilidade de todos nós, que queremos que o Santos continue a ser grande, que façamos a nossa parte. Associando-se e votando. O jeito é esse. Só esse.

Que venham os meninos!

Como eu previra, devem subir dos juniores, mesmo, o lateral Carletto, o talentoso meia Paulo Henrique e o artilheiro Thiago Luiz, além do zagueiro Diego Monar. Com isso, fecha-se o time do Santos.
São grandes apostas – com plenas condições de dar certo!
Além disso, gosto quando começamos sob a vaia da maioria. Quando ninguém dá crédito. Quando a imprensa ’sabe-tudo’ avacalha.
Aliás, estava lendo o blogo do Carlos Cereto e ele fez longas considerações sobre os times paulistas… mais especialmente São Paulo, Palmeiras, Corinthians… Sobre o Santos, escreveu duas linhas, basicamente com esse conteúdo: “sem dinheiro, não contratou. Esse será um ano terrível para a torcida do Santos”.
Respeito o Cereto, mas não sei como ele pode se dar o displante de dar uma de Mãe Dinah e bater o martelo sobre essa opinião dele… Primeiro, que o time do Santos não é ruim e ele, que vive disso, devia saber. Tudo o que mudou em relação ao ano passado foi a saída do Maldonado. Ok que é uma grande perda, mas não o suficiente pra derrubar o time pra segunda divisão.
Segundo que, se esses meninos derem certo – e algo me diz que darão – ele vai ter que engolir as palavrinhas dele a seco…
Enfim, mais uma vez, os meninos terão que fazer valer o DNA do Santos e colocar esse time nas alturas. Sem medalhões. Sem contratações estapafúrdias. Como sempre foi, como sempre será!

Seja qual for a sua sorte…

“Eu te disse, eu te disse”.

Ouvi isso, hoje, de irmãos de clube. Santistas como eu, mas que não acreditam no próprio time.
Rogam pela derrota para mostrar suas razões. Que o técnico não presta. O time não presta. Cegos, acreditam que cairemos para a segunda divisão de tudo o que disputarmos. Até da Libertadores, se lá Segunda Divisão houvesse.
Só o que eu tenho a dizer é: nada mais triste que ver irmãos de clube se regozijando da própria derrota só para provar uma suposta certeza.O que vi no jogo de ontem, basicamente, é um time novo. Em formação. Que precisa de entrosamento. Nada catastrófico.Um time bom que perdeu peças importantes – Kléber e Souto por contusão, Maldonado às vésperas – e, ainda assim, lutou.
Mas um time às cegas, onde um não achava o outro em campo. A palavra que faltou foi entrosamento.Não vou dizer o óbvio, que precisamos de um meia de criação. Mesmo porque pelo time de ontem não dá pra julgar, já que as poucas peças de meio-de-campo que temos não jogaram. Mas sou sair do campo racional. Não vou analisar o time, posição por posição. Vou filosofar.

Temos revelações que podem mostrar-se surpreendentes. Temos jóias nas categorias de base – as mesmas categorias de base que sempre foram os pilares do Santos, desde os tempos de Arnaldo Silveira, Haroldo Pires Domingues, Ari Patuska.

Hoje, parece que os torcedores deram para negar seu passado glorioso. Preferem contratações, sejam elas quais forem. Seja lá quantas forem. Começaram a menosprezar o que meninos podem ser capazes de fazer. E temos uma lista deles. Talvez mais do que qualquer outro clube no Brasil. Mas os torcedores deram para negar seu passado. Santos, teu segundo nome é tradição. Não renegue isso, jamais.

Por mim, vou esperar. Como sempre fiz, esperar com fé.

O Santos FC nasceu sob o signo de áries. Sua representação é a ave mitológica Fênix que renasce das cinzas, mais pura e mais forte do que antes. Áries simboliza o nascimento, o início, o despertar de uma nova realidade.

Quem conhece um pouco da história do time, por menos que acredite em astrologia, não pode duvidar do seu poder de superação.

Começamos o ano passado tropicando. Disse que seríamos campeões. Fizeram pouco. Irmãos de clube, até mais que os adversários, riram de mim. Terminamos com o título Paulista e, alguns, com cara de indagação. Eu, não. Eu acredito. Sempre.
E novamente eu acredito. Insistente. Persistente. Até a matemática dizer que não, eu continuo acreditando. Mas eu sou quase uma gota d’água cercada de deserto. Cada vez que eu tenho que relembrar que a história nos favorece, que o Santos já nos ensinou a não duvidar dele, sempre, dia após dia, confesso que chego a desanimar, parece que estou dando murro em ponta de faca.
Mas a minha parte eu faço. Continuo. Persistente. Agora, se não der, não serei menos santista por isso. Não deixarei de torcer, sempre, fervorosa e irritantemente. Nunca, jamais, deixo me orgulhar desse escudo. Não importa o resultado dos jogos, estou com a minha camisa, empunho minha bandeira. Não é um jogo que me fará maldizer meu amor. Não é um campeonato. É questão de se orgulhar da história, de se emocionar com os fantasmas que rondam a grama Sagrada da Vila Belmiro. Neles, acredito sempre.
Isso porque pra mim Hino é coisa sagrada. E eu levo à sério quando ele diz “seja qual for sua sorte, de vencido ou vencedor.”