“Eu te disse, eu te disse”.
Ouvi isso, hoje, de irmãos de clube. Santistas como eu, mas que não acreditam no próprio time.
Rogam pela derrota para mostrar suas razões. Que o técnico não presta. O time não presta. Cegos, acreditam que cairemos para a segunda divisão de tudo o que disputarmos. Até da Libertadores, se lá Segunda Divisão houvesse.
Só o que eu tenho a dizer é: nada mais triste que ver irmãos de clube se regozijando da própria derrota só para provar uma suposta certeza.O que vi no jogo de ontem, basicamente, é um time novo. Em formação. Que precisa de entrosamento. Nada catastrófico.Um time bom que perdeu peças importantes – Kléber e Souto por contusão, Maldonado às vésperas – e, ainda assim, lutou.
Mas um time às cegas, onde um não achava o outro em campo. A palavra que faltou foi entrosamento.Não vou dizer o óbvio, que precisamos de um meia de criação. Mesmo porque pelo time de ontem não dá pra julgar, já que as poucas peças de meio-de-campo que temos não jogaram. Mas sou sair do campo racional. Não vou analisar o time, posição por posição. Vou filosofar.
Temos revelações que podem mostrar-se surpreendentes. Temos jóias nas categorias de base – as mesmas categorias de base que sempre foram os pilares do Santos, desde os tempos de Arnaldo Silveira, Haroldo Pires Domingues, Ari Patuska.
Hoje, parece que os torcedores deram para negar seu passado glorioso. Preferem contratações, sejam elas quais forem. Seja lá quantas forem. Começaram a menosprezar o que meninos podem ser capazes de fazer. E temos uma lista deles. Talvez mais do que qualquer outro clube no Brasil. Mas os torcedores deram para negar seu passado. Santos, teu segundo nome é tradição. Não renegue isso, jamais.
Por mim, vou esperar. Como sempre fiz, esperar com fé.
O Santos FC nasceu sob o signo de áries. Sua representação é a ave mitológica Fênix que renasce das cinzas, mais pura e mais forte do que antes. Áries simboliza o nascimento, o início, o despertar de uma nova realidade.
Quem conhece um pouco da história do time, por menos que acredite em astrologia, não pode duvidar do seu poder de superação.
Começamos o ano passado tropicando. Disse que seríamos campeões. Fizeram pouco. Irmãos de clube, até mais que os adversários, riram de mim. Terminamos com o título Paulista e, alguns, com cara de indagação. Eu, não. Eu acredito. Sempre.
E novamente eu acredito. Insistente. Persistente. Até a matemática dizer que não, eu continuo acreditando. Mas eu sou quase uma gota d’água cercada de deserto. Cada vez que eu tenho que relembrar que a história nos favorece, que o Santos já nos ensinou a não duvidar dele, sempre, dia após dia, confesso que chego a desanimar, parece que estou dando murro em ponta de faca.
Mas a minha parte eu faço. Continuo. Persistente. Agora, se não der, não serei menos santista por isso. Não deixarei de torcer, sempre, fervorosa e irritantemente. Nunca, jamais, deixo me orgulhar desse escudo. Não importa o resultado dos jogos, estou com a minha camisa, empunho minha bandeira. Não é um jogo que me fará maldizer meu amor. Não é um campeonato. É questão de se orgulhar da história, de se emocionar com os fantasmas que rondam a grama Sagrada da Vila Belmiro. Neles, acredito sempre.
Isso porque pra mim Hino é coisa sagrada. E eu levo à sério quando ele diz “seja qual for sua sorte, de vencido ou vencedor.”